CURIOSIDADES SOBRE A MORTE

O medo de ser enterrado vivo teve seu apogeu durante as epidemias de cólera nos séculos XVIII e XIX, mas muito antes disso já existem histórias registradas de pessoas que foram enterradas prematuramente. Como a do filósofo John Duns Scotus (1266 - 1308), que foi encontrado fora de seu caixão com suas mãos machucadas e sanguinolentas pelo esforço de tentar escapar. O medo geral de ser enterrado vivo conduziu à invenção de muitos dispositivos de segurança que podiam ser incorporados aos caixões. A maioria consistia em algum tipo de artefato de comunicação com o mundo exterior, como uma corda ou corrente ligada a um sino, para que a pessoa sepultada pudesse chamar a atenção dos de fora em caso que revivesse.
Foi daí que surgiu a expressão "salvo pelo gongo". Outras variações ao sino incluíam bandeiras e pirotecnia. Alguns desenhos incluíam escadas, escotilhas de fuga e inclusive tubos para passagem de alimentos, mas a maioria esquecia de incluir algo básico e necessário: um método de fornecimento de ar.
Durante séculos, assegurar-se de que alguém estava realmente morto foi um autêntico problema para os médicos. O estetoscópio só foi inventado nos finais do século XIX e os primeiros modelos eram tão precários quanto um auscultador. Se as batidas do coração eram fracas devido a alguma doença, o médico não tinha modo algum de saber se o paciente estava morto; salvo esperar o único sintoma que não deixaria mais dúvidas: a decomposição. Por este motivo criaram-se os necrotérios, para ter um lugar onde poder guardar o suposto cadáver durante um tempo prudencial.
Alguns médicos decidiram solucionar o problema criando métodos de reanimação que pudessem demonstrar que o morto estava morto para valer. A escritora Mary Roach, em "Presuntos,
A fascinante vida dos cadáveres", faz uma descrição dos sistemas mais curiosos inventados para este propósito.
Ao que parece, as técnicas dividiam-se em duas categorias: as que tratavam de acordar o paciente de sua perda de consciência lhe causando terríveis dores e as que implicavam verdadeiro grau de humilhação. Cortavam as solas dos pés com navalhas de barbear (ai!) e fincavam alfinetes debaixo das unhas(aiaiai!!!). Tocavam cornetas diretamente no ouvido, "gritos horríveis e ruídos excessivos".
Um padre francês radical recomendava empalar o desfalecido com um ferro em brasa (bota radical nisso). Um outro médico criou um artefato semelhante a uma gaita para controlar uma enema com fumo, com a qual realizou entusiastas demonstrações nos necrotérios de Paris. Jacob Winslow, um anatomista do século XVII, alentava a seus colegas a derramar cera fervente no rosto do paciente e encher-lhe a boca de urina morna. Um folheto sueco sobre o tema propunha introduzir um inseto não voador na orelha do desfalecido. No entanto, por sua simplicidade e originalidade, nenhuma destas técnicas pode ser comparada à de enfiar "um lápis bem afiado" pelo nariz do suposto cadáver.
Em diversas ocasiões não ficava bem claro quem era o mais humilhado, se o paciente ou o doutor. O médico francês Jean Baptiste Vincent Laborde encheu páginas e mais páginas com a descrição de uma nova técnica de reanimação que consistia em esticar pausadamente a língua do paciente durante um mínimo de três horas. Mais tarde inventaria uma máquina estica-línguas, dotada de uma manivela, para tornar a tarefa um pouco mais agradável, ainda que não menos tediosa. Outro médico alemão exortava a seus colegas a enfiar um dedo do paciente no ouvido e tratar de escutar o zumbido produzido pelo movimento dos músculos. Com certeza, é crível afirmar que se o paciente não estivesse morto, entraria em estado de óbito com o uso de muito destas técnicas.
Síndrome de Cotard:
A síndrome de Jules Cotard ou delírio niilista é uma rara desordem no qual a pessoa tem a crença de que já está morta, que não existe, que está apodrecendo e perdeu os órgãos internos. Alguns doentes inclusive chegam a perceber o cheiro de sua carne em putrefação ou sentem como os vermes os estão devorando.

Um caso famoso da síndrome Cotard descreve uma mulher que estava tão convencida de sua morte que fazia questão de vestir um sudário e dormia num caixão. Pediu para ser enterrada e como seus familiares se negaram, permaneceu em seu caixão até que faleceu algumas semanas depois. Há outro caso de um homem que depois de um grave acidente pensou que já estava morto, e quando o transladaram a sua cidade natal, na África, pensou que estavam levando-o para o inferno, pelo calor que ali fazia.

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